quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Tina

Na tina de lavar roupa, um negrinho se agita com a água fria.
A mãe entoa canções calmas que o acostumam e, com as mãos em concha, molha os seus cabelos ralos. Enquanto esfrega, balançam os seios secos e pendentes.
O pequeno se diverte espalmando a água. A mulher o afaga emocionada, molha seu rostinho e, num cálculo do desespero, pressiona-lhe a cabeça para o fundo d’água. Chora orações que aprendera com seus antepassados afundando-lhe mais a cabeça.
Um homem entra, também chora, convulsivamente:
- Acabou?
- Acabou. – respondeu-lhe a mulher

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