Ou os homens são tão complexos que não se compreendem, ou tão simples que não se enxergam.
O homem, capa de chuva, testa gotejando, movimentos rápidos. Um pé-pós-outro. A rua, estreita, comprime o espírito. Os passos reverberam.
Ela,vestido branco, aberto nas laterais e com pequena mancha. Coisa que não se nota. O sorriso, sem caninos, traiçoeiro. Nostalgia da rua. Uma ingrata.
A chuva voltava em pingos grossos.
Os ossos descarnados e pálidos tilintavam debaixo do vestido. Acharam a proteção do toldo. Todo som é abafado.
Acontece o que acontece, daí a obviedade das coisas.
O andar que era discreto torna-se inaudível. O que se ouve são os pingos castigando o chão. O esgoto em breve extravasará.
Vê-se um pedaço que reflete ponto de luz remoto, seguro por mãos ainda incertas. Pedaço cravado com languidez. Pedaço tinto que esvai um peito arfante.
O choro que se mistura à chuva que assiste impudica. Eis a medalha de um homem roto!
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