sábado, 16 de janeiro de 2010

Maria Branca

O mundo
Se perde
Nas belas ancas
De Dona Branca.

João Pantagruel Panurge

Maçãs rosadas. Pequena, a Maria Branca. Andando com seu passo tentador, boa cristã.
- Assim não, padre Zé Rosa. Assim você me mata.
Lavadeira, a Maria Branca. “Pequenininha assim, mas com força de urso.” Torcia, batia...
O marido um touro. Apelido de Tourinho, grandão e nervoso - mas feito idiota com a Branca.
- Assim eu me mato, Maria.
A mulher o afastava empurrando o barrigão leitoso.
No tanque, esfrega. Trabalhadeira, Maria
Esfrega, Maria Branca. Outras coxas atrás, a saia levantada.
- Mais baixo. Assim Tourinho me mata.
Não tinha filhos a Maria. Pudera - ela dizia- num mundo tão depravado e decadente, melhor nem tê-los.
No mato, leoa. A respiração ofegante, os olhos que gritam, a boca que geme.
- Assim você me mata, Maria. – O negrinho magro de fome atrás dela.
Ah! Maria Branca e suas belas ancas. Devassa, a Maria. Noutra vida uma cachorra de rua no cio.
E Tourinho vermelho de raiva quando falavam de Maria.
- Fala de novo que eu te mato

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